segunda-feira, 19 de maio de 2008

Tu o dizes




Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.
Isaías 53:7
E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes.
E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.
Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti?
E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado.
Mateus 27:11-14


Tu o dizes, isto é tudo que Pilatos ouviu da boca de Jesus. Uma resposta intrigante, que nada responde, mas que tudo diz. Jesus não permaneceu calado para cumprir a profecia, como se ele fosse obrigado a agir conforme uma regra anterior para provar que era o Messias, esta é uma noção errada que temos de como funciona o cumprimento das profecias na pessoa de Cristo. Na verdade as profecias eram visões de algo que aconteceria no futuro, assim sendo a profecia é um olhar para o que está por vir, quando dizemos que se cumpriu a profecia, dizemos que aquilo que foi visto foi atestado como verdadeiro, ou seja, o profeta é confirmado como um verdadeiro vidente do Senhor. Assim sendo a profecia só existiu porque o profeta anteviu o que Jesus faria diante de seus acusadores. Isaias podia assistir a cena de Jesus sendo injuriado, caluniado e desprezado sem abrir a sua boca para se defender ou reclamar.
Não sou Isaias, não posso contemplar a cena, exceto com uma boa dose de imaginação, estimulada pelos relatos dos evangelistas. Mas uma coisa eu posso fazer, posso olhar para o texto que diz: “Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2:5). E diante da visão deste texto posso concluir que ter em nós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus não é nada fácil, é necessário um esforço sobre-humano, diria até mesmo sobrenatural, para agüentar calado falsas acusações contra si. Felizmente esta não é uma opção, é algo que aqueles que querem seguir a Jesus têm que acatar, por mais difícil que possa ser. Apesar de vivermos numa época em que os discípulos se arrogam o direito de exigirem de seu Mestre certas “promessas” como: prosperidade, saúde perfeita, sucesso, e muitas outras “bênçãos” baseados em sua conduta exemplar, como o fato de serem fieis dizimistas, freqüentadores assíduos dos cultos institucionais, proclamadores profissionais do nome de Jesus. Não existe da parte de Jesus tais promessas para seus seguidores, o que há é a ecoante ordem: quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz, e siga-me”.
Muitos “seguidores” se comportam mais como bodes esperneantes e barulhentos do que como ovelhas mudas perante seus tosquiadores. Armam barracos, tiram satisfações, saem no tapa e vão até perante a justiça cobrar seus direitos, querem na verdade que Jesus os siga para onde eles quiserem ir, não estão dispostos a abrirem mão de nada. Para estes a religião se tornou um passaporte para o céu, e a igreja se constitui em uma espécie de arca de Noé, como se apenas o fato de estar dentro das suas paredes lhes garantisse a salvação. Para os tais os atalhos são sempre mais atraentes que o Caminho. Desconhecem o fato de que atalhos sempre levam a perdição. Quem não estiver disposto a se calar e sofrer o dano, ser injustiçado, caluniado e difamado por amor de Cristo, não é digno de Cristo. Quanto a mim quero aprender que somos chamados também ao sofrimento, quero aprender a dar a resposta de Cristo, uma resposta que nada diz, mas transfere toda a responsabilidade do que é dito para quem acusa, decido hoje que tudo o que tenho a dizer diante de afrontas e acusações é: Tu o dizes!
Jerry

4 comentários:

Worlen Kaizer disse...

É triste como a "essência de seguir a Jesus" foi tão distorcida...como temos tantas palavras pra justificar o que apenas o sangue do Cordeiro justifica...Deveriamos ser gratos ´Ele pelo sangue derramado pra nos comprar, mas não, temos tantas coisas a reivindicar..."Ele é obrigado a cumprir o que prometeu"...queremos a salvação, o Salvador não nos interessa...Oro para que esse véu que nos cega seja rasgado, ue possamos perceber o valor do seu sacrificio e simplismente segui-Lo com um coração humilde e cheio de gratidão...

RAQUEL disse...

A ÚNICA PALAVRA A ESSA POSTAGEM É: "NUSSA"!
ÓTIMO TEXTO!

silvania disse...

Paz, amado...
O que dizer?
Não há muito, além da oportunidade de poder te dar os parabéns pela sua "postura sempre tão equilibrada", pois o texto expressa de forma clara uma só verdade. Posso apenas ressaltar que, uma das principais funções do inimigo é o de acusador... E a mentira é uma de suas mais poderosas armas: "e não se firmou na verdade, pois não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; pois é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44), e pode usar qualquer um, para nos acusar, inclusive aqueles que já nasceram de novo. Todos nós tendemos a sair da graça quando se trata "dos outros". Mas a graça de Jesus Cristo é muito maior, para as verdadeiras ovelhas há óleo, unção, água, graça. Assim como Paulo, devemos nos concentrar no projeto de Deus para nossas vidas, para alcançar o alvo que Deus destinou a nós: o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus... "Não tem problema, estamos sofrendo hoje, mas naquele dia vai ser diferente, lá na eternidade a situação vai ser diferente.”
Olhando para o futuro, para o "um dia" lá na frente... Mas aqui, agora, é mesmo isso, um vale de sofrimento, aparentes derrotas, mas naquele dia sim, tudo será maravilhoso!
Fica aqui registrada a necessidade de que cada um de nós tem particularidades diferentes, funções e "sonhos" diferentes, mas dentro da realidade de vida de cada um podemos e precisamos realizar e viver os propósitos de Deus para o homem.
Um grande abraço.
Silvania Itaboray.

fernanda disse...

Sinto muito a sua falta e da Deise,mas creio Deus está conduzindo, fortalecendo, confortando, alegrando... e principalmente enchendo suas vidas com Sua Graça e Paz. Fico aqui orando e intercedendo por vocês!