quarta-feira, 18 de junho de 2008

Matrix do crecimento de igrejas



Os modelos de crescimento de igrejas atuais são maquinas de controlar gente, e de utilização de pessoas como mão de obra barata para manterem um esquema institucional hierarquizado; e que existe para fazer a “igreja” crescer em número de pessoas cadastradas como sócios contribuintes da estrutura megalomaníaca. O que chamam de modelos de crescimento nada mais são do que uma fôrma gigantesca onde se produz cópias não autenticadas de um líder com síndrome de semideus. Nesta estrutura doentia as pessoas vão sendo violadas em sua individualidade e sendo martelados até que toda a sua originalidade se transforme em sucata no fundo de suas almas. Enquanto a pessoa serve cegamente ao sitema, abandonando todos os seus projetos pessoais, seus sonhos, deixando de lado o tempo da família, dos amigos e de si mesmos, trabalhando como abelha operária para construir uma colméia de cera, que não resistiria sequer ao calor da chama de uma vela, que dirá ao fogo reservado para provar toda obra naquele Dia (1 Co 3:12-13).
A alegação corrente entre estes modelos de que todos são líderes debaixo da unção e cobertura de um “Apóstolo”, que atua como no filme Matrix, sugando a energia, vitalidade e personalidade dos fieis e impondo em suas mentes um pseudo-mundo perfeito, fabricado como os sonhos, projetos e valores do chefe, no final de algum tempo os doadores de vida tornam-se esgotados e sem desejo de servir ao “deus” da Matrix, mas infelizmente muitos deles não conseguem separar o “deus Matrix” do verdadeiro Deus.
Quando algum destes que vivem como baterias humanas para alimentar com suas forças o funcionamento do sistema, descobrem-se usados e sem valor intrínseco, e se comportam com o personagem Neo (Keanu Reeves) são bombardeados por “agentes Smiths” que os ameaçam com todas as maldições da Lei, acusando-os de estarem se esfriando, se desviando do propósito e todo o blá blá blá de seu arsenal profético.
Uma coisa que pode se perceber é que estes modelos são movidos, na sua maioria por jovens, pois estes demoram mais a entender e cansar de serem sugados, além do mais distraem-se com as amizades jovens do sistema Matrix e não refletem sobre o real propósito de sua existência ali. Existem aqueles que se cansam, mas amam a muita gente boa que ainda serve nessa colméia mística, na qual o zangão ou a abelha rainha hipnotiza seus operários com suas idéias “reveladas” pelo seu próprio ego pirotécnico e vaidoso, que vai se intitulando com pronomes de tratamento cada vez mais astronômicos, bispo, apóstolo, e sabe lá qual será o próximo degrau nesta torre de Babel.
Os métodos de evangelização destas Matrix são todos voltados para anunciar ao nome da instituição, existem pessoas que tem mais reverencia ao pronunciar o nome de sua denominação do que o nome de Jesus. As pessoas nestas estruturas não pregam o Evangelho, pregam a visão da colméia, não são discipulados a pregar o Evangelho para salvar vidas, mas para conduzi-los ao seu “ministério” dentro da visão. Os zangões e abelhas rainhas envidam esforços para ampliarem suas colméias de tal forma que toquem o céu, para assim manter sua colônia entre as maiores da terra, assim a igreja se torna um lugar de atração, de grandes espetáculos, de shows cheios de efeitos luminosos e sonoros, ao mesmo tempo em que a Palavra vai sendo substituída pelas técnicas de auto ajuda, e de negociação com o deus “gênio da lâmpada”, que só exige que o esfregue da forma correta para conceder, não três, mas todos os desejos do iludido Aladim. Como o Evangelho é diluído e misturado com água suja, perdendo assim seu poder, as colméias se especializam nos artifícios dos shows: as danças, as bandas, as luzes, as fumaças”.
Em Cristo aprendo apenas um método de crescimento de igreja: “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” (At 2:46-47). Nos relatos do Novo Testamento não existe a preocupação louca de se dominar o mundo pelas técnicas de crescimento, o que existe é a singeleza dos homens e o poder do Espírito que convencia os homens e os acrescentava uma vez que eram salvos.


Jerry.

Um comentário:

silvania disse...

Paz, amado...
É um texto forte, e lamento em dizer: verdadeiro.Mas...
Mesmo vivendo essa realidade ainda sonho... Sonho com uma igreja onde a Palavra volte a ocupar o centro (Jo 17.17), onde tanto a pregação quanto a música sejam encharcadas de verdade bíblicas (1 Co 14.15). Em meu sonho percebo a alegria do re-encontro com a voz de Deus, amiga, suave, a permear todo o ambiente onde a igreja estiver reunida, pois onde se reúnem os “templos” (nós) ali está a Igreja (Mt 18.20). Que haja humildade para reconhecer que toda a capacidade vem dEle e não de mim mesmo (Rm 12.3). Uma igreja que tenha problemas, mas que aprenda com eles (Rm 5.3-5). Que haja graça no lidar com os que caem (Gl 6.1), sabendo que é pela graça que somos o que somos, e que a graça nos nivela sob o sangue de Cristo. Que ninguém seja “punido” de seus erros, mas corrigido com brandura para que o nome de Cristo seja exaltado na reedificação deste irmão (Tg 5.19-20). Sonho com uma igreja que deixe de ser um tribunal para ser um hospital, onde os feridos são cuidados com amor e que, por esse amor, aprendam a amar e se firmem no Deus que é amor! (1 Jo 4.8). Que, ao contrário das manifestações triunfalistas, nossas angústias e ansiedades sejam lançadas sobre Ele (1 Pe 5.7), Que as necessidades dos irmãos sejam supridas em amor, mas também em gestos (Tg 2.15-16), sabendo que naquilo em que ajudo o meu irmão necessitado, a Deus mesmo o faço (Mt 25.40). Onde quem não é salvo queira conhecer a Deus simplesmente pela beleza do amor demonstrado entre os que ali estão (At 2.47). Uma igreja que celebre a ceia na esperança da volta do noivo, como uma mulher amada espera pelo seu amado ao anoitecer (1 Cor 11.26).
“Que tudo aquilo que é relativo em mim se curvar diante do absoluto da Palavra de Deus, e o que sinto não sobreponha o que leio nas Escrituras.”
Há muitos outros sonhos...