sexta-feira, 24 de julho de 2009

Fernando Pessoa: TABACARIA



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O QUE ESTÁ ACONTECENDO À ALMA DOS CRISTÃOS HOJE?


Comamos e bebamos, que amanhã morreremos! — Paulo, ironizando a desesperança cristã.

Na primeira carta enviada aos cristãos em Corinto, na Grécia Antiga, o autor faz uma gravíssima declaração ao alertar que se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, então, apesar de dizermos que cremos em Cristo, ainda assim somos os mais infelizes de TODOS os homens da Terra .

Veja: ele não falava dos homens, mas, entre eles, de “nós”, de nossa esperança feita religião sem transcendência, sem amor pelo eterno, sem alegria no invisível.

Portanto, o cenário existencial que Paulo pintava era o de cristãos sem esperança ou com a esperança confinada por algo como a teologia da prosperidade. Tal teologia não celebra a eternidade, mas apenas a temporalidade dos sucessos humanos mensuráveis pelas quantificações materiais. Para a teologia da prosperidade, o maior poder da ressurreição de Jesus é a ressurreição de negócios e a restituição de finanças dos falidos.

Paulo está afirmando que é possível haver pessoas que confessam que crêem em Cristo, mas confinam sua relação com Jesus apenas aos horizontes deste mundo. Elas O vêem apenas como um poder; um mestre-de-resultados; um Cristo para consumo social, psicológico, comunitário, mágico-imediato para ser acionado como solução para as questiúnculas desta existência. “Jesus” é uma massa energética de natureza psico-religiosa, que dá às pessoas a magia necessária para que não vivam sem crença, o que para muitos é algo indispensável.

Essa foi uma crença comum no primeiro século, quando havia uma horda de falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, profetas e mestres . Todos afirmavam um Cristo à feitura do paganismo da época, e que se relacionava com os homens dependendo da generosidade deles para com esses “seus” supostos “representantes”. Mesmo na tentativa de confinar a esperança somente a esta existência, esse não seria o “produto” do Evangelho, que propõe frutificar ainda que a videira não floresça. O contentamento em qualquer circunstância, produzido pela Palavra, é o poder de Deus que não se transforma em mercadoria.

Sim, a tal declaração de Paulo sobre os cristãos se tornarem os mais infelizes de todos os seres humanos tem um contexto muito claro. De fato, o apóstolo estava lidando com uma comunidade perdida entre a fé que ouviram dos discípulos de Jesus, os assédios dos cristãos judaizantes (que queriam fazer um mix entre Jesus e Moisés), a sedução dos gnósticos e a volúpia dos milagreiros oportunistas — sempre (e todos) desejosos de cativar o interesse “dos de Corinto” para o seu próprio “mover-movido-de-ganância”.

O fato é que entre tantas loucuras, que iam desde legalismos judaicos tornados obsoletos em Cristo até a submissão burra a tudo o que se dizia em nome de Jesus (não importando se o que se ensinasse fosse o oposto do que Jesus viveu e ensinou), não havia nada diferente do que se tem hoje!

E Paulo prossegue fazendo outras assertivas. Entretanto, a mais forte delas, para a existência presente, é aquela que afirma que a Ressurreição de Jesus é o fator de transcendência sem o qual o espírito humano não tem razão para viver, especialmente depois de ter dito que crê em Cristo. Paulo é claro: Se Cristo não ressuscitou, comamos e bebamos, que amanhã morreremos! Fica tudo sem razão de ser, porque tudo que é na FÉ é em função da esperança de transcender a própria morte!

Desse modo, Paulo revela-nos uma categoria existencial desgraçada, a saber, a daqueles que “crêem em Jesus” como instrumento de manipulação dos destinos DESTA vida, numa esperança oca, tosca e de curta validade que está destituída de reais referências à Segurança Eterna de pertencer a Ele! Assim, se tudo vai bem, o céu desceu à Terra; entretanto, se algo vai mal, é a alma que desce ao Inferno: “Onde foi que eu errei”?

Esse tal “Cristo de Corinto” é como o “Jesus” pregado nos cultos cristãos de hoje! Ora, entre nós, quase que invariavelmente, o que se tem é essa crença num Cristo que é o Despachante dos Crentes que dão ordens a Deus, conforme a diabólica “Teologia da Prosperidade” e seus filhotes confessionais — e que nada mais são que ensino de demônios. Sim, ninguém duvide: A desgraça da Teologia da Prosperidade é que ela transformou os cristãos em discípulos de um “Cristo” que não é Jesus.

É o Cristo da primeira casa, da segunda casa, da casa com piscina, da casa de campo. É o Cristo do primeiro emprego, do melhor emprego, da primeira empresa, das muitas empresas e das vitórias sobre sócios inconvenientes. Esse “Jesus”, além disso tudo, ainda funciona como Cupido em problemas amorosos!

O problema é que a Verdade demanda verdade na pessoa; caso contrário, a própria Verdade a precipitará no abismo de um pânico existencial difuso, mas que se torna angústia inexplicável, um dia, quando ela perceber que poderá até ter tudo, mas não terá NADA.

Esse “Cristo”, que apresenta esperança apenas para esta vida, somente torna a existência muito pior. Como diz Pedro, melhor é viver sem consciência, como um pagão, do que uma vez que se tenha conhecido a Palavra da Verdade, vir a trocá-la pela mentira do “deus-do-imediato”. Esse “Senhor e Salvador” serve apenas para as conquistas perversas e para os ganhos malandros e mágicos, conforme entre nós se vê sendo pregado!

Esse “Cristo” é o diabo! – Creiam-me! Porque quando um filho morre, desse “Cristo” não se tem consolo; quando o marido se vai, “Dele” não se tem carinho, só culpa; quando um parente adoece e não é curado, “Dele” só se tem juízo contra aquele que, pela fé, não conseguiu a cura; e quando se peca feio, “Dele” não se tem perdão, mas apenas uma longa e infindável penitência. E tudo isso tendo em vista não perder as conquistas materiais ou amorosas obtidas até então. Diz-se que se “volta para o final da fila”!

Todos os líderes desse “Cristo” só são fortes e veementes quando a vida não demanda a paz que excede a todo entendimento; do contrário, morrem de angústia.

Todos os líderes desse “Cristo” têm um medo desgraçado de morrer. Sim. Eles temem terrivelmente a morte, pois sabem que terão de prestar contas de suas perversões contra a verdade.

Sim! Eles não têm a esperança da Glória de Deus, não são filhos da Eternidade, não celebram a ressurreição como Esperança e nem tampouco aguardam novo Céu e nova Terra nos quais habita justiça. O céu Deles é a prosperidade do mundo!

Quem tiver dúvidas acerca do que digo, aguarde e verá que esse irremediável déficit de esperança induzirá a grande angústia, que tomará tais cristãos em pouco tempo, quando caírem as últimas máscaras.

Então, haverá muita gente se entregando ao Nada, ao Vazio, à Promiscuidade, ao Medo, ao Pânico, à Depressão, e ao Cinismo!

Falar-se de Cristo, mas só ter esperança para esta vida é algo muito pior do que ser ateu. Sim! Bem-aventurados os ateus, pois, honestamente não criaram um “Cristo-Mercadoria”. A alma destes está sob melhores cuidados espirituais do que a daqueles.

A tais “cristãos”, Pedro diz: “Melhor lhes teria sido jamais terem dito que conheceram o caminho da verdade”!

Veja a “questão evangélica”. Em décadas passadas, ainda era possível ser Evangélico entre os “evangélicos”, pois, de fato, o fenômeno ainda era somente o da existência de sementes das perversões que vieram a corromper quase que por completo o “meio evangélico”. A coisa ficou muito mais feia ainda!

Todavia, há algo acontecendo. Sim! Nem tanto porque as pessoas estejam, pela Palavra, entregando-se à Verdade, mas, sobretudo, porque estão sendo espancadas pela verdade das práticas abusadas desses “ambientes da Fé”, e então, já não conseguem mais dar tanto crédito à mentira desavergonhada. Uma hora cansa! Portanto, tais pessoas (e são milhões aqui no Brasil) estão vazias, e, de algum modo, estão se tornando cínicas...

É claro que todos os dias há desesperados entrando no engano. Ora, se eles vão à Macumba, não têm por que resistir ao convite para enriquecer rápido num “Templo Lotérico Maior” qualquer ou em alguma de suas “agências lotéricas” espalhadas por todo o país. Isso sem falar nas “Casas de Câmbio” que aplicam em menor escala o jogo que tão bem aprenderam com os inventores das regras.

Entretanto, os discípulos desse Evangelho “David-Cooperfieldiano” estão perdidos e sem saber o que buscar.

O estrago que é feito em razão de alguma falência aqui ou ali, por mais forte que seja, não necessariamente os empurra para fora da fé. Mas a perversão sistêmica, virulenta, constante, diuturna e midiática contra o espírito do Evangelho tem o poder de anestesiar a alma de milhões. É o que aconteceu entre nós, tornando o Evangelho o “evangelho” do dinheiro, da insinceridade e do abuso de poder.

O resultado é esse que todos podem ver!

Uma imensa horda de fiéis está deixando de ir às “igrejas”, e, enquanto isso, tomados pelo vazio ou pela descrença, dizem que são de Jesus, mas, cada vez mais, vão vivendo com raiva de “Deus”, pois transferem o engano dos homens para a conta divina.

E, interiormente, com ou sem palavras, dizem: “Deus às favas! De que me adiantou? Só perdi tempo. Fui enganado!”

Assim, por tal decepção e segundo os milhares de cartas recebidas, há “evangélicos” “tirando o atraso” em casas de swing, em casos extraconjugais, viajando a esmo pela Internet, vivendo em chats cheios de “evangélicos” desejosos de “soltar a franga”... Também estão em todos os esquemas de lavagem de dinheiro, de exploração ilegal de madeira e do meio ambiente, de contravenções e de trapaças políticas.

O que está acontecendo com a alma dos discípulos de Jesus hoje?

Ora, o que antes era orgulho, arrogância e surto de superioridade, agora se transformou em indiferença impressionante, em cinismo equivalente, e em mornidão incomparável.

Quem, todavia, for discípulo de Jesus, por mais chocado que fique com esse retrocesso “evangélico” à Idade das Trevas, não desanimará, e nem se tornará cínico. Ao contrário, não perderá mais tempo com o que já morreu, deixando que os mortos se ocupem de tal funeral, e, enquanto isso, olhará para cima, exultará no Espírito e sairá para pregar e viver o Evangelho. Fará de todo banco um púlpito, de cada esquina uma Catedral, de cada mesa um encontro de alegria com a Boa Nova e de todo relacionamento humano uma chance de comunhão fraterna ou de anúncio bondoso da Graça de Deus.

Ao contrário de ser uma palavra de denúncia, esta é uma palavra de ânimo e de consolação.

Portanto, volte a ler os evangelhos e a meditar na Palavra. E não se esconda. Do jeito que as coisas estão, a maioria dos que desejam ser do Evangelho precisam romper com os dogmas de morte e juízo proclamados por aqueles que profanaram o sangue da Nova Aliança, que pisaram sobre a Cruz de Cristo e transformaram a pregação da fé em negócio... Um “bom negócio”!

É para esses tais “cristãos”, que se flagraram sob a condição existencial da desesperança e do cinismo que impermeabiliza o coração como proteção, que escrevemos este texto. A Doce Revolução é para vocês!

É também para os “meninos da fé” que estão com o coração todo depositado genuinamente na busca de Deus, sendo, todavia, levados como ondas para lá e para cá, por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que induzem ao erro com astúcia. Sim, é para os que estão confusos, por que:

1) Pensam que se algum milagre acontece é por poder do milagreiro, não levando em consideração os magos do faraó (que também sabiam fazer varas se transformarem em serpentes) e não levando a sério Mateus 7:16-24, onde Jesus diz que milagres, curas e exorcismos acontecem pelo Seu nome apesar do milagreiro ser um “desconhecido” para o próprio Jesus.

2) Pensam que a Unidade no Corpo de Cristo é um acordo mafioso de silêncio ante o que é mau e que nega o espírito do Evangelho, engolindo blasfêmias cometidas pela manipulação-em-proveito-próprio do nome de Deus contra o povo, como se Deus fizesse parte de alguma corporação ou quadrilha. Daí a neutralidade, a passividade e a cumplicidade que obscurecem o entendimento.

3) Pensam também que tudo o que é falado atrás de um púlpito vira Palavra de Deus oriunda de um “ungido” intocável que transforma qualquer frase de efeito em oráculo . E depois combatem a “mesa branca dos espíritas” quando, de fato, eles são o povo do “púlpito branco”, que é um espiritismo sem transe, mas cheio do transe da arrogância e interpretações bíblicas “convenientes”.

Tudo isso porque, de fato, tal meninice religiosa se revela, principalmente em não se saber fazer distinção entre o nome “Jesus” e a Pessoa de Jesus, o que faz com que celebrem um “Nome” que não tem correspondência com a Personalidade que o possui, com Seu ensino e com Sua prática, conforme as narrativas dos evangelhos.

A esses irmãos, pedimos que considerem a bênção de simplesmente... pensar.

Caio

Fonte: www.caiofabio.com/2009

sábado, 11 de julho de 2009

Homem Interior X Homem exterior, Evangelho X "evangélico"



Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.
2 Co 4:16


Interessante como o Evangelho parece alienado se o analisarmos a luz da “explosão gospel” que acontece em nossos dias. Parecem mesmo duas músicas tocadas ao mesmo tempo, mas cada um em uma tonalidade, ritmo e melodia bem distintos. Qualquer neófito desavisado que leia este trecho do Evangelho, conforme anunciado por Paulo, teria, certamente, a impressão de que estava lendo qualquer outra coisa que não um livro “evangélico”. Afinal dentro do que é “evangélico” hoje não caberia uma afirmação tão negativa quanto essa, já que o “evangélico” é positivista, para ser um é preciso saber usar a sua fé para “determinar” que tudo contribua para o seu bem estar.
Essa frase em um livro evangélico, que é uma paródia do Evangelho, ficaria bem desde que fizéssemos uma pequena adaptação, algo simples, “tipo assim”: “Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem interior se corrompa, o exterior, contudo, se renova de dia em dia.” Pronto! Mudamos praticamente nada, afinal só trocamos 4 letrinhas do lugar, não acrescentamos e nem tiramos nada, conforme determina a regra do livro sagrado lá em MT 5:19 (rssss), assim apenas demos uma roupagem mais moderna ao Evangelho tão démodé, demos um upgrade no Evangelho e o promovemos a “evangélico”, deixamos ele mais light, mais palatável, mais politicamente correto, e, principalmente, muito mais rentável.
Seria cômico se não fosse trágico. Infelizmente, não existe uma forma de reverter o processo de “evangelicalização” do Evangelho no Brasil, que por sinal já é um processo herdado de fora, como quase tudo que acontece por aqui. Não vejo como seja possível arrancar todo o veneno que já está tão misturado no sangue do monstro que se tornou o “evangélico” no solo tupiniquim. Neste momento de minha caminhada, creio que o melhor a se fazer seja não se misturar a todo o imenso emaranhado de engrenagens que constitui a instituição evangélica, em todas as suas variações, dentro do contexto atual.
Dias atrás usei dois exemplos para mostrar a uma amiga o que penso de pastores que vivem do sistema evangélico, mas saem a apontar o dedo para outros líderes do mesmo seguimento, denunciando práticas que eles consideram heréticas: o primeiro é o de alguém que senta na ponta do galho e se coloca a serrar junto ao tronco, e o segundo é o de alguém que mama nas tetas da porca e vive chamando de leitão quem mama na teta ao lado. Creio que a Igreja de Cristo seja exatamente o que foi descrito por Ele em MT 16:18, ou seja, incorruptível, mesmo diante de todo o poder do inferno, mas não creio que o termo evangélicos seja a Igreja, com certeza entre eles existem milhares de participantes da Igreja, mas nunca foram, não são e nunca serão A Igreja.
A Igreja é composta por milhares e milhares de pessoas que são capazes de aceitar a frase de Paulo sem arranjos: “Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia”. Sim, pessoas que entendem que o Evangelho diz respeito às coisas interiores do homem, e não ao interior de seu bolso e ao conforto exterior de seu corpo, que aceitam que o Evangelho é destinado às coisas que não se vêm, pois essas são eternas, e não às que se podem ver, desejar, tocar e comprar, pois essas são passageiras. Pessoas que deixam “A Palavra” entrar em seus corações e fazer morada nele, e não pessoas que internalizem a letra, ou a escritura e a usem como ferramenta de manipulação, ou moeda de troca, ou mesmo, como medida para julgar os outros. Aqueles que são A Igreja a ninguém julgam, mas a todos oferece amor, pois sabem que A Palavra é Cristo, e que este veio para que todos tenham vida em abundância, veio para dar sua vida em resgate de muitos, veio para reconciliar com Deus, não somente a nós, mas o Mundo todo (1 Jo 2:2). Quem é A Igreja não precisa se justificar por suas próprias ações, sabem que não precisam de boas obras, nem de aparência de santidade, nem de sacrifícios, nem de esforço para merecerem ser A Igreja, já entenderam que isto foi consumado em um único sacrifício de Jesus por eles.
Pessoas que são A Igreja sabem que mesmo que tudo ao redor esteja ruim, o seu interior está sendo renovado dia a dia pela habitação de Deus neles. Confiam que o processo foi iniciado por Deus e que somente Ele pode aperfeiçoar a obra até o dia de Jesus Cristo. E aceitam o fato de que este é um processo de alma, de mudança de valores, de transformação de um caráter humano em um caráter divino, e que nada tem a ver com a cura de doenças físicas, ou com a garantia de um bom emprego, ou mesmo com o sucesso no meio “evangélico”, que nada tem a ver com ser cabeça ou cauda, que não existem promessas de riquezas ou glórias mundanas, não há nenhum segredo para o ser próspero, nenhum tipo de poder mágico que transforme esterco em ouro. E por incrível que pareça, esses que são Igreja, não dão a mínima para todas essas coisas, pois já sabem que existem coisas sobremodo elevadas, que estão reservadas para eles, e não é uma questão de coisas as quais eles vão receber, mas uma questão de coisas nas quais eles vão se tornando a cada dia na presença de Deus.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Almas Perdidas


Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.
Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?
Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma?
Trecho de Marcos capítulo 8

Alma, que essência controversa e de difícil compreensão! Não importa se acreditamos que ela é um terceiro elemento na constituição humana, juntamente com o espírito e o corpo; se é a única parte imaterial do homem; ou se é, em conjunto com o corpo físico, o todo indivisível do ser humano. O fato é que, de qualquer forma não existem fatos, nem indícios nem tampouco provas, que possam nos desvendar a complexa estrutura da alma humana. Assim sendo, deixarei a discussão sobre a natureza da alma para quem tem tempo a perder com tais infindáveis questionamentos.
Jesus não se preocupou em explicar a origem, a constituição ou os mecanismos que regem a alma do homem. Ele simplesmente admitiu sua existência e destacou que ela é a coisa mais valiosa que um homem tem, tão valiosa que o mundo inteiro não compensa a sua perda, e dessa forma revela também que ela pode se perder. E uma vez perdida, não há coisa alguma neste mundo que a possa resgatar. Muitos acham que o texto acima está falando sobre aqueles que perdem sua alma indo para o inferno por não se renderem a Cristo. Pode ser, mas tenho meditado sobre um aspecto menos evidente nos últimos dias.
A alma para os judeus no tempo de Jesus era o centro dos sentidos, a sede das emoções e sentimentos, até hoje a visão antropológica dos judeus é a de que alma e corpo formam uma só coisa: o homem vivente. Não há como separar uma coisa da outra, como os gregos, com sua filosofia dualista, fizeram o ocidente e muitos pensadores cristãos pensar. Assim quem perde a alma perde-se por completo ainda em vida. Torna-se um zumbi, alguém que anda, interage com o ambiente em redor, mas não se pode chamar de vivo.
Vem-me a mente a pessoa de Salomão quando penso em alguém que perdeu a alma, não sei se ele a perdeu de verdade, mas quando leio Eclesiastes eu tenho essa impressão. Salomão parece não ver mais sabor e nem encontrar prazer em nada. Conquistou tudo que um homem pode conquistar, foi o rei mais rico de Israel, adquiriu a fama de ser o homem mais sábio de seu tempo, teve todas as mulheres que quis, experimentou todos os prazeres que alguém pode ansiar, tudo que o mundo pode oferecer. Mas suas palavras no fim da vida são de irritante insatisfação:
“Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.” “E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho. E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.” (trechos de Eclesiastes caps. 1 e 2)
Eu creio que pessoas que perdem a sua alma são assim. Incapazes de sentir. Perderam a capacidade de ver, de ouvir, de cheirar e de tocar a vida. Pessoas amarguradas que tem tudo mas não se satisfazem com nada, não se contentam, pois não acham contentamento em nada do que conquistam. Viver se tornou um vício em buscar, obstinadamente, algo que não sabem o que é e nem para quê ou porque querem. Não são mais capazes de se encantarem com a cor e o perfume das flores; não têm mais tempo pra discernirem as nuances dos acordes de uma bela canção; irritam-se facilmente com a insistência de uma criança em ter sua atenção, porque acham que têm coisas mais importantes e urgentes para fazer; há muito tempo não se importam com o que sente seu cônjuge, e muito menos se importam em fazer algo para alegrar aquele a quem juraram amar em qualquer circunstância, até que a morte os separe.
Perdidos de alma são pessoas amarguradas, odeiam gente apenas por preconceito, são incapazes de acolher as diferenças, preferem números a nomes, trocam ética por dinheiro, valores por vantagens, Deus por si mesmos. E que fique bem claro que não estou falando apenas de “incrédulos”, mesmo entre professos cristãos encontramos pessoas assim, nem vou me explicar, quem acompanha meu blog sabe o que penso sobre este assunto. O fato é que existem pessoas sem suas almas dentro e fora da “igreja” e existem pessoas que ainda conservam suas almas, dentro e fora da “igreja”.Por fim, creio que uma alma não se perca da noite para o dia, isso é um processo demorado e que varia de pessoa para pessoa, dependendo de muitos fatores e do caráter de cada um. Assim sendo, vale uma reflexão para mim e para os leitores deste artigo: será que não estou perdendo minha alma? Essa é a pergunta que me faço todos os dias, e que incentivo você a se fazer também. Pois se descobrirmos que nossa alma está se distanciando de sua origem, que é Deus (Gn 2:7), sempre é tempo de reverter este processo e buscar a reaproximação com aquele que nos dotou de tão valioso presente, Jesus dá a solução para que não venhamos a perder nossa alma em Mc 8:38: não se envergonhar dele e nem de suas palavras. Devemos repensar nossos caminhos, provar nossas ações e pesar nossos sentimentos e pensamentos, para saber se não estamos trilhando um caminho que está provocando a perda da alma. Afinal o que poderemos dar em resgate por ela depois?



English Version (forgive me the bad english):
For whoever wants to save his life will lose it, but whoever loses his life for me and for the gospel will save it. What good is it for a man to gain the whole world, yet forfeit his soul? Or what can a man give in exchange for his soul?
Excerpt Mark Chapter 8
Soul, what a controversial and hard essence to understand! Whether we believe it is a third element in the human constitution, together with the spirit and body, or if it is the only part of the immaterial man, or whether it, together with the physical body, is the indivisible whole of mankind. The fact is that, anyway there are no facts nor warranties nor evidences, which may revelate the complex structure of the human soul. Therefore, let the discussion on the nature of the soul for those who have time to waste with those endless questions. Jesus did not bother to explain the origin, formation and the mechanisms governing the soul of man. He simply acknowledged its existence and said that it is the most valuable thing a man has, so valuable that the world does not compensate its lost, and thus shows that it can be lost. And once lost, there is not anything in this world that can recover. Many believe that the text above is talking about those who lose their souls going to hell cause don't surrender to Christ. Perhaps, but I have meditated on something less evident in recent days.
The soul to the Jews in the time of Jesus was the center of the senses, the seat of emotions and feelings, until now the anthropological vision of the Jews is that soul and body are one thing: the living man. There is no way to separate one thing from another, as the Greeks, with their dualistic philosophy, made the West and many Christian thinkers think. So who loses your soul is completely lost still in life. Becomes a zombie, someone who walk, interacts with the environment around, but that cannot be called of alive.
Comes to my mind the person of Solomon when I think of someone who lost his soul, I don't know if he really lost it, but when I read Ecclesiastes I have that impression. Seems to me that Solomon does not see taste in life and don’t find pleasure in anything. He conquested everything a man can conquest, was the richest king of Israel, acquired a reputation of being the wisest man of his time, had all the women he wanted, experienced all the pleasures that someone can earn, all that the world can offer. But his words at the end of life are of an annoying dissatisfaction:
I thought to myself, "Look, I have grown and increased in wisdom more than anyone who has ruled over Jerusalem before me; I have experienced much of wisdom and knowledge." Then I applied myself to the understanding of wisdom, and also of madness and folly, but I learned that this, too, is a chasing after the wind. For with much wisdom comes much sorrow; the more knowledge, the more grief. I denied myself nothing my eyes desired; I refused my heart no pleasure. My heart took delight in all my work, and this was the reward for all my labor. Yet when I surveyed all that my hands had done and what I had toiled to achieve, everything was meaningless, a chasing after the wind; nothing was gained under the sun. "(Excerpt from Ecclesiastes caps. 1 and 2)
I believe that people who lose their souls are like that. Unable to feel. Lost the ability to see, to hear, smell and touch their lives. Bitter people who have everything but are not satisfied with anything, are not satisfied, cause they don’t find contentment in anything of what they conquest. Living had becomed an addiction in seeking, obstinacy, something they don't know what it is, and not for what they want or why. Are no longer able to enchant with the color and perfume of flowers; have no more time for discerning the nuances of chords of a beautiful song, are easily irritateds with the insistence of a child to have his attention, because they think that there is most important and urgent things to do, since a long time they don’t care about how their couple feel, and even less care to do something to brighten the one who swore to love in any circumstances, until death separate them.
People of lost souls are bitter, hate people just for prejudice, are unable to accommodate the differences, prefer numbers to names, exchange money for ethics, values for benefits, God for themselves. And it is clear that I am not speaking only of "unbelievers," even among professed Christians there are people like that. So I will not explain, who that follows my blog knows what I think about this. The fact is that there are people without their souls inside and outside the "church" and there are people who still retain their souls inside and outside the "church”. Finally, I believe that a soul is not lost from the night for the day, this is a lengthy process and it varies from person to person, depending on many factors and character of each. Therefore, it is a reflection for me and the readers of this article: Am I losing my soul? That is the question that I do every day, and encourage you to do the same. For if we discover that our soul is away from his giver, which is God (Gen 2:7), ever is time to reverse this process and seek rapprochement with the one that gave us so valuable gift, Jesus gives the solution for don’t lose our soul in Mk 8:38: Do not be ashamed of him and of his words. We must rethink our ways, and weigh our actions proof our feelings and thoughts, to see if we are not trailing a path that is causing the loss of the soul. After all what can we give in rescue of it later?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Caminhante, não há caminho. faz-se caminho ao andar.



DOS PROVÉRBIOS E CANTARES


I
Nunca persegui a glória
nem quis deixar na memória
da gente a minha canção.
Eu amo os mundos sutis,
delicados e gentis,
como bolas de sabão.
Gosto de vê-los pintar-se
de sol e romã, voar
sob o céu azul, vibrar
subitamente e quebrar-se…

XXIX
Caminhante, é o teu rasto
o caminho, e nada mais;
caminhante, Não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
A andar se faz o caminho
e ao olhar-se para trás
vê-se o caminho que nunca
se há-de volver a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

XLIV
Tudo passa e tudo fica,
mas para nós é passar,
passar fazendo caminhos,
caminhos por sobre o mar.

Antonio Machado

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo. (Mt 12 : 6)


“E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.”
(Mt 21:12-13)


Poucas vezes os Evangelhos relatam que Jesus esteve no Grande Templo de Jerusalém, a passagem acima diz respeito a uma destas poucas vezes, em nenhuma delas ele foi bem vindo, e em todas elas se indispôs com os líderes daquele edifício. Uma das vezes em que Jesus esteve no templo, é a relatada acima. Assim que chegou no templo Jesus foi cercado pelos lideres religiosos que o interrogaram acerca de qual era a sua autoridade para ensinar naquele lugar. Jesus respondeu com a clássica pergunta de volta: “de onde era o batismo de João?” e diante da recusa dos lideres em responder ele também não os respondeu diretamente, mas propôs a parábola do Pai que mandou seus dois filhos trabalharem na sua vinha. Veja como termina o capítulo 21: “E os príncipes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas palavras, entenderam que falava deles; E, pretendendo prendê-lo, recearam o povo, porquanto o tinham por profeta.” Relação difícil a de Jesus com o Templo, não é mesmo? É, mas ainda não termina aqui, veja o que diz no capítulo 22 e versos 15 e 16a: “Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam nalguma palavra; E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos”. Tenso, não? O povo tava pra briga mesmo! É, mas Jesus dá logo um chega pra lá nestes também: “E eles, ouvindo isto, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram.” Fico impressionado como Jesus incomodava os líderes religiosos do “povo de Deus”!!! depois dos Fariseus foram os discípulos deles e depois os saduceus e: “No mesmo dia chegaram junto dele os saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram.” Parece que nunca acabam as oposições ao “Verbo Vivo.” Olha os Fariseus ai de novo: “E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar”. Mas por fim diz Mateus: “E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo.” Assim Jesus encerra sua disputa com os líderes religiosos de então, de hoje e de sempre:

“ENTÃO falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem; Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los; E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes, E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo.”
(Mt 23:1-11)

Depois desta experiência desagradável no Templo veja qual era o pensamento de Jesus acerca de templos: “E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada.” (Mt 24:1-2)

Diante dessa relação difícil entre Jesus e o templo, fico perplexo como algumas pessoas insistem em dizer que não estou ligado a uma igreja apenas pelo fato de eu não freqüentar um Templo, ou como chamam: “uma igreja”. Sei que são pessoas super capacitadas e experimentadas na Palavra que assim me acusam, mas eu como um mero mortal, um crente sem muita instrução, e sem nenhuma bagagem hermenêutica, acabo tropeçando em uma série de textos que encontro na minha Bíblia. Gostaria muito que um destes versados líderes tão amorosos e zelosos, me socorressem em minha ignorância acerca de passagens como as que abaixo descrevo:

Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?
(At 7:48-50)

O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração.
(At 17:24-28)

Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.
(1 Co 3:16-17)

Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.
(1 Co 6:19-20)

E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
(2 Co 6:16)

Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.
(Mt 18:19-20)

Porque aquele de quem estas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar, visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio.
(Hb 7:13-14)

E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;
(1 Pe 2:4,5 e 9)

Bom, são tantos versículos tão difíceis de entender que eu não poderia listar todos aqui, seria melhor colar todo o Novo Testamento (rsss), mas os que aqui foram listados são os que mais me parecem difíceis de entender, ou não? Mas tem um último texto que quero colocar aqui:

Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu. E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.
(Hb 10:19-25)

Engraçado que o escritor de Hebreus diz para que não abandonemos nossa CONGREGAÇÂO e não a nossa Igreja, o que seria impossível, já que uma vez que enxertados no corpo de Cristo, jamais poderíamos ser extraídos dele, e tampouco diz para não deixarmos nosso templo. A única referência acerca de uma possível fidelidade a um grupo de pessoas é claramente uma advertência para que não andemos sozinhos, e não para que sejamos engessados em um lugar pseudo-sagrado (que me perdoem as novas regras gramaticais). Assim fica difícil de um leigo como eu, que tem a ousadia de querer ler a Bíblia livremente, e entender o porquê de ser errado eu me reunir em casa com irmãos que amam a Deus, e que querem louva-lo e ter comunhão com Deus e com quantos mais tenham o mesmo desejo que eu. Será que existe algum texto bíblico que me proíba de fazer isso e eu ainda não achei (sou meio distraído é verdade, mas será que sou tanto assim?).

Não bastassem minha dúvidas com relação aos textos bíblicos, que me dão a entender que onde quer que estejam dois ou mais reunidos em nome de Cristo, ali há uma igreja, ainda fico pensando em como será que Deus vai fazer com tantos cristão perseguidos, em tantos lugares do mundo, que arriscam suas vidas e até com perda delas, para manterem sua fé em Cristo, sem terem jamais o direito de pisar em um templo. Irmãos que vivem em lugares como a China que é um país oficialmente católico, e seus cidadãos não podem cultuar, ao menos que seja em uma igreja registrada e supervisionada pelo governo. Dezenas de milhares de cristãos – número estimado em mais de 100 milhões – se recusam a cultuar em igrejas controladas pelo governo. Esses cristãos “clandestinos” ou “não registrados” cultuam secretamente em suas casas, correndo o risco de serem presos, multados, ou aprisionados pelos oficiais do escritório de segurança pública. Os membros de igrejas não registradas argumentam que o governo não deveria ser o líder da igreja, e restringir o lugar em que devem cultuar é infringir a liberdade religiosa. Na China, somente as igrejas registradas podem vender Bíblias. A venda e distribuição das Escrituras é extremamente controlada, para que não sejam importadas ou vendidas em livrarias comuns. Como resultado, é difícil para as igrejas não registradas terem um exemplar da Bíblia. Talvez seja isso o que querem impor aqui no Brasil também.. será?
Fonte: Missão Portas Abertas

Sem contar é claro com os milhares de cristãos que viveram na igreja primitiva, antes de Constantino criar o “cristianismo” e que não tinham nenhum tipo de templo oficial para se reunirem. Foi apenas no ano 190 d.C. que a palavra grega ekklesia, que traduzimos como igreja, foi pela primeira vez utilizada para se referir a um lugar de reuniões dos cristãos. Até o quinto século o lugar de reuniões dos cristãos eram as casas, e não um templo, já que o primeiro templo cristãos surgiu apenas no século IV, após a conversão de Constantino.O primeiro templo cristão começou a ser construído por Constantino, sob influência de sua mãe Helena, em 327 d.C., às custas de recursos públicos, e sua arquitetura seguia o modelo das basílicas, as sedes governamentais da Grécia e, posteriormente, de Roma, e dos templos pagãos da Síria. Estas basílicas cristãs foram construídas com uma plataforma elevada acima do nível da congregação e no centro da plataforma figurava o altar, e à sua frente a cadeira do Bispo, que era chamada de cátedra, isso deu origem ao termo ex cathedra que significa “desde o trono”, numa alusão ao trono do juiz romano, e, por conseguinte, era o lugar mais privilegiado e honroso do templo. O Bispo pregava sentado, ex cathedra, numa posição em que o sol resplandecia em sua face enquanto ele falava à congregação, pois Constantino, mesmo após a sua conversão ao Cristianismo, jamais deixou de ser um adorador do deus sol. Assim sendo, o atual modelo hierárquico do Cristianismo, que distingue clero e laicato, teve origem e ou foi profundamente afetado pela arquitetura original dos templos do período Constantino.
Fonte: Livro Cristianismo Pagão, Frank Viola.
Que se cumpra logo, para aqueles que ainda não perceberam o cumprimento da profecia de Cristo, a palavra que diz: Derribai este templo, e em três dias o levantarei!